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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estes turcos... II


Estes turcos... II

Bem, hoje aconteceu algo extraordinário !!
Todos os dias, depois de levar as miúdas à escola, a Zekeryaköy, um povoado um pouco a norte, atravesso uma estrada serpenteante, pelo meio da floresta, onde posso dar largas à minha mestria na condução, e desemboco na Cevreyolu, uma das principais artérias de Istambul, para ir ao Hillside, o meu ginásio.  É aqui que normalmente deparo com as 3 faixas de carros de que falava ontem.

Mas, hoje, pasmo dos pasmos !!!! Só havia 2 faixas ! Foi então que percebi : todos os turcos leram o meu post de ontem ! Estava explicado !

Bem, não era bem assim, pois, efectivamente havia brigadas de polícia em todos os semáforos !
Continuei o meu caminho e percebo que um dos polícias pra aí da 3a brigada fazia imensos gestos para os carros que iam à minha frente . Pensei que era para encostarem mas eles continuavam caminho... Bolas, pensei eu, espero que não seja para mim ! Também não era !!
Entretanto, mais um semáforo e fez-se luz no meu espírito : afinal este também gesticulava violentamente mas a ideia era direccionar os carros para a faixa de segurança !! 
É que tanto cumprimento tinha compactado o trânsito ! 
Afinal se a polícia lá estava primeiro para obrigar a cumprir as 2 faixas, devem ter percebido  depois que não resultava !! Que confusão ! Não cheguei a perceber... Mas deu para ir a rir até ao ginásio !!!

Bom, mudando de assunto e de tom, hoje estou triste ! Fizemos no Ginásio uma festa de despedida para o nosso professor de dança - Ozan Aydemir. Para além de ser um yakisikli ( um pão ! ) é um extraordinário bailarino, mas vai para a tropa durante 5 meses !! Buáááááá ! Vou sentir imenso a falta dele e principalmente das suas aulas !

Adorava poder colocar aqui o filme que ele fez connosco numa das aulas da passada semana, mas ele tem-se esquecido de o pôr no facebook. Gostava que me vissem dançar , nem eu sabia que tinha jeito !!! Mais um talento descoberto aqui. Parece demasiada modéstia, eu sei , mas realmente aqui já descobri outros tantos talentos, uns pela necessidade, outros pela disponibilidade. Mas disso falarei noutra altura para não cansar os meus amigos..... Eu sei, tenho que moderar esta escrita, senão nem eu vou ter paciência para ler estes textos mais tarde.
O mulherio levou umas coisitas para comer e eu, como verdadeira emigrante, até já aprendi a fazer pastéis de nata. Enfim, será uma receita própria, mas toda a gente gosta ! Ficaram tão parecidos ao original que nem me atrevi a fotografá-los...

 Afinal, o Ozan ainda colocou a foto da festita no facebook :


http://www.facebook.com/profile.php?id=621137130&ref=ts#!/photo.php?fbid=10150379171642131&set=a.10150379171447131.341503.621137130&type=1&theater

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Estes turcos ...


Estes turcos ....

Estava aqui a pensar no título desta página quando me lembrei da célebre frase do Obélix, no " Astérix, a volta à Gália ": " Estes gauleses são doidos ! "

Não, não será de todo a mesma coisa, mas, efectivamente, estes turcos dão que pensar !

Para contar a história do início, tudo começou hoje de manhã.

Depois de vários toques do despertador para nos arrancar da cama, ligámos a televisão enquanto nos preparávamos para mais um dia. Normalmente ligamos a BBC ou a RTPI, dependendo de esta noticiar as últimas dos Palop ou não.
Hoje, pela RTPI, lá ouvimos mais uma vez a confusão no Egipto, a manifestação exaltada em Lisboa, o desvario na Grécia ... Enfim, perante tanta loucura, o Nuno comentou algo que me deixou a pensar e que acabaria por ter seguimento mais tarde, ao almoço, numa conversa com a Bahar.
Efectivamente, dizia ele que algumas das maiores civilizações da Antiguidade, tendo demonstrado na época tanta sabedoria e desenvolvimento, hoje revelam um atraso e uma pequenês de espírito que nos atordoam!  ( O Nuno acabou de chegar e, ao ler esta última frase comentou  " Ó Cristina eu não acordo a falar assim !! " )
Bem, mas voltando à ideia do Sr meu marido  (que não sendo tão eloquente pela manhã, consegue muitas vezes exprimir o que me vai na alma ), dos egípcios, passando pelos gregos, também os turcos sendo um dos berços da humanidade, hoje, em tanta coisa, revelam um atraso que me irrita !

O nosso afilhado Tomás nasceu há dois dias, levando a Isabel e o João Xavier ao hospital ( o Acibadem de Maslak ) às 3h da manhã. Tivemos então que antecipar a execução do plano do presente colectivo - um playcenter com 2 andares que pode ser ainda cama de viagem. Foi para isso que combinei com a Carla e a Bahar irmos ao Istinye Park, à Jujube. Depois resolvemos ir almoçar ao Big Plate.

E aí novamente o tema dos turcos veio à baila. Com efeito, a Bahar, sendo turca, viveu muitos anos fora da Turquia e consegue um distanciamento em relação ao que por aqui vai acontecendo que lhe permite um sentido crítico muito apurado !! Aliás, é por ela que vamos tomando conhecimento de muita coisa que só saberíamos se lêssemos jornais turcos ! Às vezes, penso que ainda bem que não o conseguimos fazer ....

Como me farto de repetir a toda a gente, os turcos surpreenderam-me pela simpatia e pela forma como me acolheram a mim e aos estrangeiros em geral. Quando vim para Istambul, pensei, como creio ser comum a muita gente, que seriam demasiado mercenários e interesseiros e, como tal, a convivência não iria ser fácil. Rapidamente percebi que estava enganada e em vários momentos tive exemplos de solidariedade e entreajuda. Lembro-me, de repente, de um acidente horrível que o Nuno teve, ainda no início deste ano, quando vinha do trabalho, ao final do dia. O carro ficou incapaz de prosseguir viagem e o turco do Nuno era inexistente ( não que agora tenha melhorado por aí além.... ). Tentava ele comunicar em inglês com o dono do outro carro, mas esta tarefa revelava-se bem mais difícil do que ele poderia supor pois, para além do facto do turco não falar inglês, o sistema nervoso de ambos estaria também bastante afectado ! Assim, de repente, apareceu um senhor de um dos prédios, muito prestável, que tratou de servir de intermediário linguístico e, terminado o preenchimento de toda a papelada ( estão a ver aquelas declarações amigáveis ? Complicadas de preencher em português ? Em turco, é um bocadinho pior..... ). Mas, o mais incrível foi quando se ofereceu para trazer o Nuno a casa ! O homem vivia do lado asiático ! Teve que enfrentar uma fila de quase 2 h para trazer o Nuno !! Claro, pediu ao Nuno para lhe encher o depósito. "Aha ( pensei eu  na altura ) aí está, afinal o homem ainda vai ganhar alguma coisa com esta ajuda ..." Quando foram à estação de serviço, o depósito encheu com 20 TL!!! Ups....toca a fustigar-me !!
E como esta, outras situações têm ocorrido. Ontem, no ginásio, quando cheguei percebi que me tinha esquecido da t-shirt. Já me preparava para comprar uma ( eles têm umas pecitas nos vestiários para estas eventualidades ) quando uma turca que eu nunca tinha visto, percebeu o que se passava e emprestou-me uma dela !! 

Estes são apenas 2 episódios mas todos os dias somos surpreendidos por atitudes do género.

O problema é que, apesar de tudo isso, conseguem ser tão atrasados em tanta coisa ! Revelam com esse atraso uma falta tremenda de civismo. Basta ver como conduzem : numa estrada com 2 faixas, há sempre 3 de carros porque a de segurança está sempre ocupada. Claro que quando uma ambulância tenta passar com uma situação de urgência, chega a ser desesperante, pois primeiro que passe, já o doente morreu !!

Outro exemplo que me deixa louca é aproveitarem as faixas de saída para dar o golpe nas filas mais à frente !! Grrrrrrrr..... Especialmente quando vou tentar sair e tenho que esperar que desimpeçam o meu caminho ! Acho que nunca usei tanto a buzina do carro como aqui. Hoje foi hilariante : preparava-me eu para mais uma apitadela, quando percebi que o carro que estava a atrapalhar era da polícia !! Não dá para acreditar !

Estes e outros exemplos comentávamos ao almoço e, querendo justificar estas contradições, tentávamos perceber a necessidade que têm de ir em primeiro. No fundo, creio que é isso que os move, ir à frente de todos. Em Portugal temos alguns exemplos destes, mas ainda vai havendo algum civismo que impede de encher uma faixa de segurança e permitir que uma situação urgente tenha a esperança de chegar a tempo.

Mas não é este o exemplo que mais me deixa fora de mim. O que verdadeiramente me atrofia o espírito é o desrespeito pelo meio-ambiente. E não, não me estou a fazer para apresentadora do Ponto Verde ! Já nem me refiro à separação dos lixos ( claro que não têm !), mas à facilidade com que toda a gente manda lixo para a rua : crianças, novos, velhos..... todos ! Vão na rua, abrem um maço de cigarros e, claro chão com o lixo ! Vão no carro, bebem uma Coca-Cola ( espera, tenho que mudar isto senão o Nuno tem um chilique ! ), não, bebem um Lipton e a lata vai pela janela fora, com risco mesmo de atingir o carro que vai atrás !!!!
Isto, sim, põe-me doente ! Até porque sendo Istambul uma cidade tão populosa, uma outra atitude faria toda a diferença neste mundo que inacreditavelmente parecemos querer destruir.


Mas adoro Istambul ... Não posso terminar este texto assim, com um tom tão negativo.
Apesar de já me ter alongado bastante, tenho de contar um episódio que marcou também o início da nossa estadia aqui e que nos deixou embasbacados. Se não o fizer, corro o risco de o esquecer e é demasiado precioso para deixar que isso aconteça.
Uma semana depois daquele acidente horrível, o Nuno chega a casa perfeitamente transtornado pois tinham-lhe batido no carro, desta feita no de substituição, pois o outro ainda não tinha tido tempo de ter sido arranjado ! Quando lhe perguntei como se tinha entendido com o turco, respondeu-me que o outro sabia falar um pouco de inglês mas que tinham combinado tratar de tudo depois do jantar, dado que tudo tinha acontecido em frente ao restaurante onde o outro ia jantar coma  família. Não queria acreditar na credulidade do Nuno ! Só nesse momento materializou a sua ingenuidade e rapidamente engoliu umas garfadas e foi ao restaurante que ficava a poucos minutos de casa. Fiquei em casa, preocupada pois acreditava que o mais provável era que já não estivesse lá ninguém à espera dele. Decorrida uma hora a preocupação tinha dado lugar a pânico e resolvi telefonar. A resposta foi, de todas as possíveis, a que eu menos esperava : o homem lá continuava, à espera do Nuno e, quando este chegou, convidou-o a sentar-se à mesa, para beber algo e experimentar umas sobremesas, enquanto discutiam os pormenores do arranjo !! Tive que me sentar para poder assimilar o que me contava. Refeita primeiro do nervosismo e depois do choque, ainda tive que lidar com o convite dos turcos para me juntar a eles, pois queriam muito conhecer a mulher do Nuno !!!! Cansada de tanta emoção, era a última coisa que me apetecia fazer naquele momento. Contudo, pareceu-me que seria uma desfeita e lá acabei por me arranjar e ir ter com eles. Ali estivemos todos juntos umas horitas a comer  e a beber, numa conversa também animada pela mistura de inglês e turco.

São assim estes turcos....











2 comentários:

  1. E aqueles que te lavam o vidro pára-brisas contra os quais insistes que não queres (leia-se não querias pagar o gesto...) e afinal é só mesmo serviço grátis?
    Vai dado notícias, eu estou cá a seguir-te... no meu blog ainda não terminei o capítulo Istambul..
    bjo
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  2. Simplesmente hilariante!mas adorei e viajei um bocadinho!contudo fiquei cansada do ritmo alucinante da tua prosa!vou descansar....fui;)))

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

After all ...

After all.....

São quase 7 da noite ! Caramba, mais uma vez o dia voou por entre a minha dondoquice ! 
Entre ginásio, almoço com a Guiomar ( uma amiga Mexicana que não via desde Junho ) e a Sandra ( cuja nacionalidade não me recordo agora, mas também sul-americana ) e umas aulitas de Português às minhas filhotas mais pequeninas,  sentei-me à secretária para estudar os meus apontamentos desta língua fantástica ( e difícil !) que é o Turco às 6h30 da tarde !
Conjugava eu o pretérito imperfeito do verbo konusmak ('falar' ), quando a minha atenção resvalou para o dia do Food Court na Escola Inglesa. 
À semana que começou hoje  resolveram eles chamar " International week " e pediram aos pais ( que é como quem diz às mães ) que colaborassem na actividade de sexta-feira - o food court. Está-se a ver que se trata de comida, comida típica de cada país. No fundo, será mais um dia para dar a conhecer o nosso país, não só em termos gastronómicos, mas também outros que consideremos relevantes. Falo no plural pois somos três as mães portuguesas na escola dos nossos meninos : eu, a Isabel e a Salette. 
Ora, para organizar esta actividade, resolvemos almoçar juntas na semana passada ( todos os pretextos para um almoço são bons ). Decidimos então utilizar algum do material da exposição que tínhamos realizado, também na escola, há cerca de um mês : mapas, galos de Barcelos, bandeiras, fotos de monumentos e pequenas biografias de personalidades portuguesas.


Apesar de nos ter tomado um pouco mais de tempo do que pensávamos, divertimo-nos à séria a montar o trabalho e ainda acabou por receber o elogio de toda a comunidade escolar. Obrigada às minhas amigas e colegas da escola de São Bruno: Celeste, São Rosa e Cristina ! Afinal sempre aprendi alguma coisa com elas !Beijos !!

Portanto, juntando uns petisquitos, um filme e uns fados a esta parafernália, achámos que tínhamos a actividade preparada. Contudo, a Isabel chamou-me a atenção hoje para o facto de, ao contrário do que tem sucedido nos outros anos, não partilharmos a nossa sala com outros países. Isso levou-me logo a querer inventar algo mais e lembrei-me de uma série de gente de valor da qual nos tínhamos esquecido aquando do primeiro trabalho. A primeira imagem que me maravilhou o espírito foi a do sapato gigantesco da Joana Vasconcelos e comecei a delirar, claro ! Depois aterrei e tentei perceber como dar à nossa sala um ar moderno e artístico mas ao mesmo tempo exequível !
Claro que ainda tenho que amadurecer as ideias, até porque entretanto voltei a viajar e em vez do Turco ou do sapato da Joana, apeteceu-me escrever aqui. Estarei a ficar com aquela síndrome da falta de atenção e concentração ?!!!!

 Então, voltando eu à minha última viagem, apeteceu-me abrir um sorriso numa altura em que Portugal se comisera pela crise horrível que vive, deixando-se mergulhar num pessimismo e numa tristeza que cada vez é mais patente nos semblantes da nossa gente. Nas últimas férias em Portugal senti de forma bem clara esse negrume e deixou-me muito triste. Apesar de não termos habitualmente a alegria dos nossos primos brasileiros, ou o salero dos nuestros hermanos ( porque serão estes irmãos ? Será que faz sentido chamar aos outros primos ?.... ), costumávamos ser mais optimistas, conseguíamos quase sempre ver um aspecto positivo em alguma situação de desgraça ( lembram-se daquelas frases " Ainda bem que só espatifou o carro ! No fundo teve imensa sorte, foi só o carro !!!!! " ) Mas realmente agora essa centelha  parece ter desaparecido e dado lugar a demasiada melancolia e até alguma amargura ! O irónico disto tudo é que agora ninguém é capaz de lembrar o papel que todos desempenhámos e que está na origem desta crise. Demos tantos passos maiores que as nossas pernas ! Claro, como sempre, uns sentem-se mais altos que outros .....

Eu sei que estou fora e falar daqui é bem mais fácil, mas bolas, temos um país maravilhoso, uma gente acolhedora como há poucas e, ainda por cima  dei-me conta há pouco, nunca nos conseguimos lembrar dos imensos portugueses de valor espalhados por esse mundo fora. É ou não um excelente sinal ?
Desde a Arte, a Literatura, passando pela Ciência, a História, o Desporto ( claro com ênfase no Futebol  ), é incrível a quantidade de nomes que nos honram como nação !
Devíamos pensar mais nisto e, apesar de todas as contrariedades, termos orgulho no nosso país. Talvez assim consigamos carregar menos azedume ao longo destes anos que se avizinham bem difíceis. Apetecia-me dizer como num antigo spot publicitário " Se não formos nós a gostar dele, quem gostará ? "




2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.
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  2. Não me lembro se da outra vez te lembraste dos nossos Vieira da Silva, Paula Rego, António Damásio, Siza Vieira, António Lobo Antunes, Mariza, Carlos Lopes e Rosa Mota.
    Quanto aos petiscos, os célebres pastéis de bacalhau são famosos, o pior é encontrares o dito, para além dos pastéis de Belém e esses serão mais fáceis. Se não ficarem tão bons, também ninguém os conhece!
    Relativamente ao país, com a nossa experiência de desenrascanso, ainda havemos de ser nós a descobrir como ultrapassar a crise, sim porque já se percebeu que ninguém faz nenhuma ideia do que fazer, desde as sumidades alemãs, passando pelas americanas e pelas francesas, anda tudo a ver navios. Também podem ser os turcos, porque esses, felizmente para eles, têm vindo a crescer sozinhos porque as cabeças importantes europeias não os deixaram entrar no grupo dos loucos. Mas se forem os turcos, aproveita e copia-lhes a receita, é troca por troca, ensinas a fazer os pastéis de Belém e eles ensinam-te como sair da crise, está bem pensado, não está?
    Beijocas

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Abençoado Bayram !


Abençoado Bayram !

Na semana passada, os nossos amigos turcos celebraram o Kurban Bayrami, permitindo que tivéssemos uma semana de férias !

 Já volto à questão das férias, mas primeiro devo explicar o que é isto do Bayram, até para as minhas amigas ( mais críticas que os meus amigos ! ) não ficarem com a ideia de que passo o tempo nas compras.....Afinal, lá vou aprendendo qualquer coisita.... Mas, dondoca que se preze não pode cansar-se demasiado, certo ?

 Durante um mês inteiro, por ano, esta gente fica privada de todos os prazeres : comida, bebida, sexo... Enfim, desde que o sol nasce até que se põe. Depois podem passar a noite a comer, a beber e a .... o zaman problem yok (nessa altura não há problema)! Defendem, para além da questão religiosa, que este completo jejum é uma forma de todos perceberem o que é passar fome, sentirem as dificuldades dos carenciados e, por outro lado, ficarão preparados para sobreviver a alguma catástrofe que os obrigue a viver em condições extremas.
Para celebrar o fim deste mês de privações, têm dois Bayram : o Seker Bayrami e o kurban Bayrami. Cada um dura 3 dias e todos os anos têm lugar em dias diferentes. O primeiro foi celebrado já no final de Agosto e durante esse tempo distribuem doces e guloseimas pelos familiares e amigos. O último decorreu na semana passada ( 7 - 9 de Novembro ).  Istambul ficou deserta, pois toda a gente aproveitou os dias ou para passear ou para visitar os familiares. Costumam matar borrego, comendo-o em família e distribuindo-o também pelos pobres. Apesar de estas celebrações durarem apenas 3 dias, as escolas fecham toda a semana e algumas empresas também.

Ora, dizia eu então que estivemos de férias ! Iupiiii !
Como verdadeiramente organizados que somos eu e o Nuno, resolvemos pesquisar hotéis na Capadócia poucos dias antes. Claro, ficámos mesmo em Istambul : tudo estava completamente lotado em todo o lado ! Istanbul'da kriz yok ! - Em Istambul não há crise!
Assim, aproveitámos o tempo maravilhoso que se fez sentir, pelo menos até 4ª feira : jogámos ténis, nadámos ( na piscina interior claro, que faz frio pra xuxu agora ), fomos ao cinema, lemos, vimos televisão... um descanso total !

Entretanto as nossas turquinhas de estimação, a Bahar e a Neslihan, sugeriram irmos visitar as ilhas e na 3ª feira lá fomos nós para Büyükada - a Grande Ilha.
Apanhámos o barco em kabatas e fizemos uma viagem de 2h30 com 9 crianças ! Ufa, estava a ver que não chegávamos !!
Apesar dos constantes sobrolhos franzidos às nossas criancinhas, rapidamente nos distraímos com um homem que, do nada, começa a falar alto e a vender as suas bugigangas no meio do barco.  Que descontracção ! Desde sacos de plástico a descascadores de cenoura, vendeu de tudo!

Sai este de cena e aparecem 3 ciganitas turcas a tocar, cantar e a dançar. Um espectáculo !
Claro que a seguir passaram com um copito de papel a reunir as moedinhas que as pessoas acabavam por lhes dar.





E os nossos "anjinhos" sempre prontos para sarilhos :




Na companhia das gaivotas, lá chegámos a Büyükada
                                                       


 Nós e metade da Turquia ! Sim, porque a outra metade estava na Capadócia !!!!




Apesar disso, a ilha, do pouco que vimos, é um miminho !
A Neslihan tinha reservado almoço num restaurante à beira-mar e nós, como verdadeiros portugueses ( as turquinhas já foram naturalizadas), quando  nos sentámos à mesa foi para apreciar devidamente a ementa com meze (entradas) que não acabavam mais e peixinho fresco acompanhado de um belo vinhinho. Assim, quando saímos do restaurante eram 4h e, portanto, quase noite !!!
Tivemos tempo para apanhar uma carruagem puxada por cavalos ( carros não entram na ilha ) e irmos visitar um hotel muito simpático de um alemão amigo da Neslihan. Ficámos deslumbrados com o ambiente acolhedor do hotel e todos sentimos de imediato uma vontade imensa de aí ficar para o dia seguinte.












O edifício principal apresentava-se como uma casa senhorial dividida apenas em quartos, dispostos pelos diferentes andares. É a uma tenda enorme que os hóspedes se dirigem para se aquecerem à lareira ou sentar-se a uma mesa comum para as refeições. Esta tenda estava plantada num jardim  lindíssimo, salpicado de velas, baloiços e recantos românticos. O fim da tarde permitiu que ao entrarmos no recinto do hotel, ficássemos magicamente enfeitiçados pelas luzes quentes e alaranjadas que davam à tenda um ar simplesmente encantado !


                                                 











Infelizmente o hotel estava também cheio e lá tivemos nós que voltar para Istambul, com as nossas criancinhas para mais uma viagem maravilhosa ! Ficámo-nos pelo chocolate quente ...
Ficou também a vontade de lá voltar ....