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sábado, 19 de maio de 2012

A nossa Mimoca


A nossa Mimoca

A minha filhota número 2 fez 12 anos ! Que crescida : tudo nela quer fazer-nos recordar a puberdade, desde os sinais mais femininos até às borbulhinhas unissexo.... e os sinais menos físicos, aqueles que nos dão dor de cabeça e nos fazem questionar a toda a hora sobre a melhor maneira de educar os nossos filhos...

A Maria foi o bebé mais doce e alegre que já alguma vez conheci. Acredito que poucas pessoas tenham tido a sorte de ser abençoadas por tamanha ternura !










Não me recordo que chorasse, nem para nos chamar, depois dos inúmeros sonos que fazia ao longo do dia. Nasceu com 3 anos de diferença da Inês e esta era, sem dúvida, o seu sol, pois a cara iluminava-se-lhe mal a irmã aparecia ! Também não me recordo que fosse difícil para comer, pois tudo lhe sabia bem.
Por todos ela conseguiu espalhar a sua ternura e as suas sonoras gargalhadas, sendo, por isso, fácil de perceber porque a chamamos de Mimoca.





Mais tarde, soubemos, numa consulta a uma oftalmologista, a razão de tantos sonos - a Maria tinha estrabismo e um olho quase já não via. Por isso se cansava tanto ! Creio que a médica não nos bateu, porque não podia, pois achava uma irresponsabilidade enorme da nossa parte que tivéssemos esperado pelos dois anos para a observar. Efetivamente, apesar de muitos alertas, confiámos cegamente na pediatra que nos descansou até àquela data.

Seguiram-se óculos, palas, gotas .... e finalmente uma operação aos 4 anos que até hoje se tem revelado um sucesso. Ficaremos, para sempre, gratos ao Eduardo Silva, médico e amigo do Miguel que a operou em Coimbra. Todos os anos lhe fazemos uma visita e a Maria tem conseguido escapar até aos  óculos !








Agora tem 12 anos e a ternura de antes parece estar camuflada por outras preocupações. Aprendeu a defender-se e as manas que pensavam poder dobrá-la facilmente, já perceberam que têm de a levar a bem se não quiserem ser vítimas da sua fúria !

Quando viemos para Istambul, pensámos que seria uma das que mais viria a ressentir-se, mas, para espanto nosso, ao fim de poucas semanas estava  já a gostar da escola e das suas novas amigas. Sentia muitas saudades de todos aqueles que deixara em Portugal e falava com eles quase todos os dias via facebook mas não lhe foi difícil perceber e aceitar a mudança. Para isso contribuiu também a facilidade com que aprendeu o inglês, língua que fala já com muito à-vontade.
Sleepovers, playdates e muitas amigas depois, a Maria parece estar feliz com a sua nova vida e as suas novas amigas.

Nem sempre tudo correu bem e teve que enfrentar um episódio muito difícil com uma das meninas da escola, a Laura.
A Mimoca é uma menina muito fechada, e foi pela Inês que viemos a saber que a Laura andava a escrever mensagens muito feias no Skype sobre a Maria. A Inês, na rebeldia dos seus 14 anos, tentou resolver o problema, mas acabou por perceber a gravidade da situação e sentiu a necessidade  de nos contar tudo. Não queríamos acreditar em tamanha barbaridade - doeu-nos neste processo sentir a tristeza da nossa filha. Ela, que é incapaz de fazer ou querer mal a alguém, foi confrontada com uma crueldade que eu própria tinha dificuldade em perceber  !
A nossa intervenção acabou por resolver o problema, mas o que me assusta verdadeiramente é pensar que se a Inês não nos tivesse contado, até quando esperaria a Maria para nos vir pedir ajuda ?... Porque não consegue abrir-se comigo ou com o pai e contar-nos as suas tristezas e até as alegrias ? Por muita auto-crítica que faça, não entendo onde terei errado. Eu sei que ela é mais fechada que as manas, mas até por isso me interrogo. É muito difícil, como mãe, ser deixada de fora do seu mundo, o sentimento de impotência é enorme ! Como protegê-la a ela e às manas destes dissabores e doutros ? Era tão mais fácil quando as tinha a todas debaixo das minhas asas, em São Bruno ! Claro que não seria para sempre, mas apenas o tempo suficiente para criarem as defesas necessárias para os seus voos...

Espero que o episódio tenha servido para ela e as manas perceberem que podem contar connosco sempre, mas que, para isso, têm de nos confiar o que de bom e mau se passa. Oxalá não me iluda !
Eu aprendi também, aprendi que é necessário estar constantemente alerta e as muitas distrações que se nos apresentam não podem nunca permitir o desfoque do plano principal da nossa vida.


Parabéns Mimoca, que cresças feliz e consciente sempre do amor que te temos...









































2 comentários:

  1. Bravo!Que linda declaração de amor maternal!
    Muitos Parabéns,Maria pelas 12 primaveras!
    Beijinhos gordos para todos.
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  2. Minha querida Cristina,

    Estive a ler-te e adorei...como continuar uma longa conversa interrompida... Passei pelo mesmo com a Matilde e sei bem o que custa, o que nos faz pensar e o sentimento de impotência que traz aos pais. Ser mãe alegra a alma , mas é também muito difícil!
    Anseio ver-te e poder estar contigo «ao vivo e a cores». Quando acaba essa Turquia (pelos vistos maravilhosa!) ? beijinhos